2024

Em 2024, o edital teve como objetivo alcançar grupos e coletivos de adolescentes do gênero feminino, especialmente negras, LBTs, trans e pessoas não binárias, com o intuito de desenvolver ações, debates e produtos — em especial entre ativistas adolescentes — sobre direitos sexuais, direitos reprodutivos, autonomia sexual, democracia e cidadania, com base no conceito de Justiça Reprodutiva. Houve um cuidado especial em selecionar grupos situados fora do eixo Sul-Sudeste e que atendessem aos critérios de seleção, com o propósito de ampliar o alcance territorial da iniciativa.
Inicialmente, foram contemplados quatro projetos. Posteriormente, mais dois foram incluídos: “Emergência Climática e Direitos Reprodutivos: Desafios para Adolescentes e Jovens” e “Jovens do Morro da Cruz”, ambos do Rio Grande do Sul. Esses grupos já haviam sido apoiados em edições anteriores do Ocupa Mana e, diante do contexto de recuperação após as chuvas e a crise climática no Estado, decidiu-se contemplá-los novamente como forma de apoiar as jovens e dar continuidade ao trabalho já iniciado. 

Propostas  contempladas:

“Raízes & Realidades: Meu Lugar no Mundo” – São Paulo (SP)

A proposta parte do entendimento de que o processo migratório frequentemente rompe tradições culturais e saberes ancestrais, afetando a autoestima e identidade de mulheres imigrantes e suas descendentes. Essas jovens enfrentam múltiplas discriminações — racismo, xenofobia, sexismo — e encontram barreiras no acesso a direitos básicos como a saúde sexual e reprodutiva. O projeto realizou rodas de conversa e produziu vídeos sobre sexualidade, padrões de beleza racistas e valorização da memória de mulheres indígenas migrantes, além da cartilha Conhecendo seu corpo, Cuidando de sua saúde, que pode ser baixada aqui. As mentoras foram Ellen Vieira, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, e de  Marina Maia, do Coletivo Margarida Alves.

Fala, garota! Juventude da zona oeste por justiça reprodutiva! – do Rio de Janeiro (RJ)

O projeto aborda violências de gênero com ênfase em dignidade e saúde menstrual, violência sexual e direitos sexuais e reprodutivos. Foram realizadas duas rodas de conversa e produzidos dois vídeos: um com registros das atividades e outro com falas das jovens participantes.

Corpo, Cartografia e Justiça Reprodutiva na Amazônia – Belém (PA)

Tendo como tema central a dignidade menstrual por meio do acesso à informação sobre saúde reprodutiva e o ciclo menstrual, foram realizadas as oficinas “De olho no ciclo menstrual: saúde, autoconhecimento e dignidade menstrual” e “Corpo Cartografia”. Também foram distribuídos absorventes e produção de uma cartilha com os resultados das atividades. As ações ocorreram nos municípios de Ananindeua, Cametá e Belém (PA).

Acampamento da Justiça Reprodutiva – São Paulo (SP)

O projeto, realizado em São Paulo, trabalhou a temática da justiça reprodutiva no contexto do acolhimento institucional, com foco em crianças e adolescentes — especialmente meninas cis e trans, meninos trans e pessoas não binárias que vivem em SAICAs (Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes). A iniciativa abordou temas como educação sexual, enfrentamento à violência de gênero, sexualidade positiva e direitos sexuais e reprodutivos. Foram realizadas reuniões de organização e um acampamento com oficinas e rodas de conversa. A mentoria ficou a cargo de Ellen Vieira, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, e de Marina Maia, do Coletivo Margarida Alves.

Emergência Climática e Direitos Reprodutivos: Desafios para Adolescentes e Jovens – Porto Alegre (RS)

Entre agosto e novembro de 2024, foram realizadas duas oficinas com o grupo de meninas do bairro Sarandi. As temáticas abordadas foram: Imposição de estética e padrões de beleza racistas e Sexualidade e planejamento de vida, incluindo discussões sobre métodos contraceptivos, gravidez e aborto. As atividades contaram com a mentoria de Leina Peres, integrante da Rede Feminista de Saúde.

Jovens do Morro da Cruz – Porto Alegre (RS)

O projeto realizou quatro oficinas com meninas de 8 a 12 anos, reunindo um grupo diverso de 12 participantes. Todas elas já tinham vínculo com o espaço da horta comunitária, frequentado junto de suas mães, e costumam participar das atividades sempre que são convidadas.